Redação | Blog Coluna da Tarde
O ex-presidente e atual candidato Donald Trump anunciou, nesta semana, uma ordem para que o Departamento de Comércio dos Estados Unidos desenvolva um novo modelo de Censo que exclua da contagem todos os imigrantes que estão no país de forma ilegal. Segundo Trump, o objetivo é garantir “um levantamento mais preciso e justo” da população residente legalmente no território americano.
A determinação, feita de forma imediata, reacende debates antigos sobre o papel do Censo na definição de políticas públicas, representação política e distribuição de recursos federais.
O que muda com a nova ordem
Tradicionalmente, o Censo dos EUA — realizado a cada dez anos pelo U.S. Census Bureau — contabiliza todas as pessoas que vivem no país, independentemente de seu status migratório. Essa metodologia segue recomendações de organismos internacionais, como a ONU, e tem implicações diretas na definição do número de cadeiras na Câmara dos Representantes e no repasse de verbas para estados e cidades.
Com a nova diretriz de Trump, imigrantes ilegais seriam excluídos dessas estatísticas, o que pode reduzir a representatividade política de estados com grandes populações de imigrantes, como Califórnia, Texas e Nova York.
Impactos políticos e econômicos
Especialistas afirmam que a medida pode alterar o equilíbrio político no Congresso, favorecendo regiões com menor número de imigrantes. Além disso, a exclusão pode influenciar diretamente no cálculo de investimentos federais em áreas como saúde, educação e infraestrutura.
Para analistas, a decisão também deve gerar forte reação judicial. Em 2020, a Suprema Corte já analisou tentativas semelhantes e considerou inviável a implementação antes do prazo do Censo, mas não descartou discussões futuras sobre a metodologia.
- Feriados de Setembro: o que muda com o 7 de setembro em 2025
- Semana do Cinema movimenta público com ingressos promocionais e grandes estreias
- Carreiras em TI ameaçadas pela IA: veja quais podem desaparecer em 10 anos
- HBO Max sobe preços de planos no Brasil: entenda o reajuste e alternativas para economizar
- Embaixada dos EUA exige redes sociais públicas para visto de estudante
Reações e críticas
Organizações de defesa dos direitos dos imigrantes criticaram a decisão, afirmando que ela “fere princípios democráticos” e “distorce a realidade demográfica do país”. Já aliados políticos de Trump argumentam que o Censo “deve representar os cidadãos e residentes legais, e não pessoas que entraram de forma irregular”.
A Casa Branca não comentou se a medida passará por aprovação legislativa ou se será implementada via ordem executiva.

Contexto histórico
O debate sobre incluir ou não imigrantes ilegais no Censo não é novo. Tentativas anteriores, inclusive durante o governo de Trump, buscaram adicionar perguntas sobre cidadania ao questionário, mas enfrentaram resistência judicial e logística. Organizações de pesquisa alertam que a exclusão de grupos específicos pode comprometer a precisão dos dados e dificultar o planejamento governamental.
A decisão de Donald Trump marca mais um capítulo na polarização política sobre imigração nos EUA. Se confirmada, a mudança no Censo pode redefinir não apenas a contagem populacional, mas também o mapa de poder político e a alocação de recursos no país.
Fontes: Declarações oficiais de Donald Trump, U.S. Census Bureau, Suprema Corte dos EUA e análises de institutos de políticas públicas.



