Por Redação | Blog Coluna da Tarde | Sociedade e Política
A recente onda de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros — especialmente carnes, aço e derivados do agronegócio — reacendeu o debate sobre a criação de uma moeda comum no bloco BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Para especialistas, a iniciativa dos EUA é interpretada como um movimento estratégico para conter o avanço de alternativas ao dólar no comércio internacional.
Segundo o economista internacional Eduardo Velasco, da USP, “os Estados Unidos veem a moeda do BRICS não apenas como uma iniciativa financeira, mas como um movimento geopolítico com potencial de alterar o equilíbrio global”. Ele lembra que, embora o projeto ainda esteja em fase de discussão técnica, as movimentações para consolidar uma infraestrutura financeira independente já estão em curso.
Do ponto de vista diplomático, o governo brasileiro tem adotado uma postura equilibrada. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que o Brasil “mantém seu compromisso com o fortalecimento dos mecanismos multilaterais de comércio, respeitando os princípios da soberania nacional e da livre concorrência”. A Casa Civil, por sua vez, reiterou que o país “não renunciará à busca de autonomia estratégica em suas decisões econômicas e comerciais”, reforçando que o diálogo com os EUA será mantido, mas sem abrir mão de alianças estratégicas com os parceiros do BRICS.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se manifestou sobre o assunto durante uma cúpula econômica em Brasília:
“Não se trata de substituir o dólar, mas de ampliar as possibilidades de intercâmbio entre os países do Sul Global. Precisamos de instrumentos financeiros que reflitam a nova ordem mundial.”
A pesquisadora Renata Almeida, da FGV, concorda com a visão de que as tarifas americanas são uma reação política. “O Brasil é um elo estratégico dentro do BRICS, por seu peso no agronegócio, energia e infraestrutura. A imposição de barreiras comerciais pode ser uma forma indireta de frear a coesão e o avanço do bloco.”
Apesar das tensões, fontes do Ministério da Fazenda garantem que o Brasil seguirá participando ativamente das discussões sobre a nova moeda — inclusive nos grupos técnicos que debatem sua viabilidade, lastro e integração com bancos centrais dos países-membros.

Nos bastidores, diplomatas e economistas acreditam que os próximos meses serão cruciais. De um lado, cresce o apoio de países em desenvolvimento ao projeto do BRICS. Do outro, os EUA intensificam sua vigilância e medidas protecionistas. A moeda comum ainda não tem data para ser lançada, mas já provocou impactos reais na geopolítica mundial.
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